Pedro Henrique Carquejeiro
Um dia de crioulo - 3C5
Quatro
e meia da manhã. Já estava na hora
de ir ao trabalho. O rádio relógio
balbuciava uma letra em meio a um
clima festivo, contrastando com a
cinzez janela afora. Despiu-se das
cobertas, lembrou de sua mãe,
Angélica. Quantas Angélicas não
estariam por aí, Brasil afora,
chorando a morte de seus filhos,
quando ele mal havia secado as
lágrimas para a sua? Destino mal
encaminhado! Ficassem então mortos
com mortos, que deixassem a
felicidade aos que restaram. Já eram
5 horas, e ele ainda não tinha
tomado seu café.
Passava em frente ao hospital público. Maltrapilho, um prédio mendigo
entre estrelas de concreto. Nuca
seria mais que isso. É assim. Alguns
nascem pro trabalho, outros para a
perdição. Seguiu pela entrada para
funcionários, cumprimentou os muros,
portas e paredes com um olhar
decepcionado, de quem acreditava que
tudo ficaria bem.
Já pegava agora seu uniforme branco. Travestia-se de enfermeiro, enquanto
um colega mais animado comentava:
"Você soube do Deputado?". É claro
que sabia. Sabia de todos eles, e
poderia até fazer previsões sobre o
futuro de cada um: serão eleitos nas
próximas eleições. Afinal, onde
moramos? Somos mesmo uma nação?
Somos. sim, uma nação. Temos algo em
comum com todos, desde o Oiapoque ao
Chuí: sustentamos uma rede de crime
organizado com a única finalidade de
prendermos a nós mesmos em uma cela
de ignorância.
Voltava agora aos poucos da enfumaçada revolta. Maca vinte e três: um
senhor de 60 anos com Diabetes
Melito. Entrou no quarto, pegou a
insulina e enquanto era observado
por outros vinte e tantos doentes,
espetou agulha e remédio na carne
que acabara de acordar. Sabe, meu
jovem - disse o senhor - hoje estou
mal, mas desconfio que como a
maioria de minha idade, já estive
pior. Já precisei correr de quem
devia me proteger. Já apaguei de
tanto tomar porrada de cacetete.
Você não faz ideia de como é viver
escondido daqueles que você
sustenta. E o Crioulo respondeu:
Faço sim, senhor…Alberto. O senhor
apanhou por que defendia suas ideias,
mas hoje me escondo da polícia sem
nada ter feito, pelo excesso de
melanina na minha pele. O senhor se
revirou no lençol branco, com a cara
amarrada de quem ouviu o que não
queria.
Saindo daquela ala, topou com uma mulher já nos seus cinquenta anos, com
um papel na mão e levando palavras
incompreensíveis na boca. Está
perdida, senhora? - perguntou o
crioulo. A senhora respondeu, com um
sorriso afetado pelo tempo: Perdida,
eu? Imagina…estou na verdade é
procurando! Com um olhar já cansado
de desordem, continuou o enfermeiro:
Procurando o quê? Veio a seca
resposta então: Palavras pra por
nessa poesia, oras! O correio tem
andado arisco ultimamente, sabe? Não
vai me dedurar, hein! Senão chamo a
Roussef, da guerrilha, pra acabar
com a tua raça!
Senhora, por favor, onde está alocada? Ala 7, respondeu prontamente. Ótimo,
setor psiquiátrico. Perdendo tempo
com uma louca, enquanto outros
morriam por aí. Encaminhou a
paciente até sua maca, e leu seu
prontuário. Estresse pós-traumático.
Provocado por torturas da ditadura.
Mas será que hoje os fantasmas
resolveram aparecer? Depois de 30
anos os generais ainda enchem o saco!
Chamada pelo sistema de som. Um jovem havia sido baleado por policiais,
que entravam junto para escoltá-lo.
Procedimentos, gritos de dor. Quando
já se acalmava, aproximou-se do
ouvido do enfermeiro, disse o seu
muito obrigado. Disse que não era
bandido, que era testemunha, mas
qualquer preto acompanhado por
policiais se faz candidato a
presidiário. Não pode Crioulo fazer
nada senão concordar.
Horas depois, quando o dia já partia, para felicidade dos trabalhadores e
tristeza das crianças, pegou o mesmo
trem lotado de volta para casa. Viu
os mesmos rostos cansados, sentiu os
mesmos odores do trabalho honesto.
Afinal, a pior criminalidade fede a
perfume importado, usa terno e vive
no ar-condicionado. Passou por
crianças usando drogas, pediu a quem
quer que fosse que seu filho, e os
filhos do Brasil, não tivessem mais
esse triste fim. Que não se
entorpecessem para aliviar o
trabalho, que não fumassem para
esquecer a dor. Que não bebessem
para falar alto o que, a não ser
altos, não conseguem falar.
Jogou seu corpo sobre a cama rangente, torceu para que ela não
desmoronasse como seu país. Em
poucas horas de sono, espreitou um
mundo nem melhor, nem pior. Um mundo
diferente. Onde de fato, poderia
lutar por sua liberdade. Mas já eram
quatro e meia de novo, e ele tinha
que trabalhar.
Ingra Lopes Maia - 3C2
Copos americanos exilados
Da janela do hall do 3º andar sempre
pude ver aquele bar cinzento da
esquina do final da Rua França.
Sempre o pude ver, exatamente, mas
nunca tinha olhado efetivamente para
aquele lugar. Passava de carro, via
os bêbados, os semi-bêbados e os
aparentemente amargurados que se
sentavam nos seus degraus que davam
para a calçada e quase nunca
imaginava alguma coisa. Via também
as inúmeras garrafas de cachaça em
uma prateleira grande demais para um
lugar tão pequeno, e via quase
nenhum centro e nenhuma mesa de
bilhar naquela esquina que foi
provavelmente preenchida de paredes
de concreto, azulejos e revestimento
para que não sobrasse espaço entre
as casas de seus lados.
Até que no mês de outubro, olho
ocasionalmente para a mesma esquina,
e algo, pela primeira vez, me chama
atenção naquela paisagem recém
desconhecida: ali, no lugar onde
antes ficava um bar cinzento, com
seus bêbados e semi-bêbados e
aparentemente amargurados, agora
rouba-lhe o lugar um bar de cor
amarela, motivo de meus novos
olhares à esquina do final da Rua
França, todos os dias.
E hoje, ao olhar para a esquina em
meu já novo hábito, vejo mais uma
cor. O bar da esquina do final da
Rua França é agora, definitivamente,
em minhas visões, o velho bar
espanhol, porque em amarelo e
vermelho eu permito que os bêbados
sejam ainda mais bêbados, os
semi-bêbados sejam bêbados e os
amargurados despedacem suas almas em
formato de copos americanos, assim
como Hemingway.
Aline Riquena da Silva - 3E11
Fronteira é poder
Fronteira é uma linha
imaginária ou material que divide dois
ou mais territórios. Habitualmente,
representa uma ideologia daquele que a
criou.
É uma necessidade natural de
qualquer ser vivo estabelecer limites
físicos em sua zona de poder. Um animal
delimita seu território através de sua
urina, já o homem constrói muros ou
sinaliza a região. Assim, dentro de cada
zona demarcada vigoram diferentes leis e
costumes, sendo que, indivíduos não
pertencentes a esse território ao
cruzarem a fronteira estão submetidos a
essas leis.
Nem sempre o estabelecimento de
fronteiras configura-se como uma solução
de conflitos por poder ou estabelece uma
ordem entre os indivíduos; é o caso do
neocolonialismo em que as potências
econômicas européias realizaram a
partilha da África e da Ásia sem
respeitar as diferenças étnicas e
culturais das tribos ali moradoras. Essa
divisão reflete, nos dias atuais, em
sérios conflitos regionais que se
transformam constantemente em guerras
civis.
Nas regiões em que a demarcação do
território respeitou as características
de seus ocupantes são, inevitavelmente,
construídas novas fronteiras dentro da
fronteira inicial, ou seja, há um
sentimento xenofóbico por aquele que não
pertence à região. É o que acontece no
oeste europeu e nos EUA, no primeiro
caso há um muro localizado no estreito
de Gibraltar que barra imigrantes
norte-africanos; no segundo há vários
muros a noroeste que detém a entrada de
mexicanos no país.
Assim, a patológica necessidade de
construir fronteiras relaciona-se
diretamente com a inevitabilidade de um
indivíduo dominar o outro. Seja
determinando fronteiras agrícolas,
impedindo dos curdos e palestinos de
construírem sua própria fronteira ou
instituindo uma barreira por meio da
força é que os indivíduos mais adaptados
ao poder estabelecem a sua hegemonia.
Renato Ferreira Ribeiro - 1E11
Os sentimentos contemporâneos
Nos últimos
tempos, a existência de grupos que
agem de forma intolerante em relação
a negros, moradores de rua,
homossexuais e outros discriminados,
que notadamente não são meras
minorias sociais; reformula o
"imperativo categórico", anunciado
por tantos nos séculos passados,
durante suas análises da sociedade
humana. Tal imperativo enunciaria o
seguinte: agir de modo que certa
ação possa ser tomada como aceitável
universalmente.
Observa-se, então, que o poder de
coerção social necessário à
sobrevivência da civilização
contemporânea, está se desviando do
rumo coerente das relações
sustentáveis da humanidade.
As notícias recentes sobre os
ataques aos jovens homossexuais na
Avenida Paulista retratam mais um
dos vários casos de violência
discriminatória, e que justificam a
tendência do conformismo e aceitação
de tais atitudes pelas autoridades
políticas; enfim, reforçam a idéia
de que o "imperativo categórico" e
sem poder de coerção estão
funcionando negativamente contra o
próprio homem.
É momento da comunidade de certos
locais retomar a valorização da
virtuosidade: equilibrar o
sentimento conformista com o
intolerante.
Gustavo Saiki do Lago - 2E21
Individualismo necessário
Já no começo da adolescência, somos
apresentados a uma das mais cruciais
questões da vida: a escolha de uma
profissão. Deste momento em diante,
uma enxurrada de informações invade
as cabeças dos vestibulandos, além
de várias pressões, tanto externas,
quanto internas. Pressões que, se
não forem corretamente canalizadas,
podem ter efeitos negativos na vida
do futuro profissional.
Quem não se lembra de quando aquele
parente mais velho, aparentemente
sem maiores intenções, fez a
pergunta que nunca deixou sua
cabeça: “O que vai fazer da vida?”.
Essa pergunta desencadeia uma série
de pesquisas e considerações sobre
gosto, habilidade e, principalmente,
retorno financeiro. É saudável pesar
esses fatores para que se possa
encontrar uma opção de trabalho mais
satisfatória.
Mas quando influências externas
começam a tomar importância maior do
que os próprios pensamentos nessa
decisão, apresenta-se um obstáculo
psicológico perigosíssimo: a
tentativa de agradar as pessoas
admiradas. Nesse propósito, pode-se
perder a oportunidade de viver uma
vida plena e feliz. Geralmente,
essas pessoas-modelo são os pais,
que, às vezes, têm um papel maior do
que deviam nas escolhas dos filhos,
acabando por intervir de maneira
prejudicial no caráter decisivo dos
mesmos.
Portanto, pode-se concluir que
quando se trata de uma questão tão
importante, os pais não podem ter
medo de opinar, ao mesmo passo que
devem lembra-se de que há um limite
em relação à interferência nas
decisões dos filhos, que devem ser
respeitadas. Os pais devem orientar,
e não guiar.
Laís - 2E21
Brasil, nação desigual
A sociedade brasileira é constituída
por diferentes etnias. Negros,
mulatos, cafuzos, originaram-se da
mestiçagem entre portugueses,
africanos e indígenas durante o
período colonial.
Porém vivemos em uma nação que
depois de diversas misturas ainda
persistem com a desigualdade racial.
Embora no Brasil não tenha
acontecido nada parecido com o
apartheid que ocorreu na África, o
racismo existe e está implícito em
pequenas ações políticas e sociais.
O negro ganha um salário menos
favorecido, mora em condições
precárias, ocupa os piores cargos,
tem dificuldade em ingressar no
mercado de trabalho, já que a
preferência das vagas é para pessoas
com “boa aparência” e para agravar
existem as cotas em universidades
que ao invés de selecionar o
conhecimento que o candidato possui,
seleciona sua cor, insinuando que o
negro por sua vez não seja capaz de
competir honestamente com o branco.
Portanto é hipocrisia falar que no
Brasil não há desigualdade, e para
que exista um país sem discriminação
é necessário que o negro tenha os
mesmos direitos que qualquer outro
cidadão, tanto na teoria quanto na
prática e a inclusão do mesmo em
nossa sociedade que é primordial
para a igualdade social como um
todo, pois não é a etnia que difere
uns dos outros e sim o caráter.
Laís Del Monte - 2E21
Além da criminalidade
O crescimento da criminalidade é um
grande problema da sociedade atual.
Ele tem envolvido cada vez mais
crianças, prejudicando a segurança
da população, podendo até levar ao
óbito de muitas.
A razão pela qual o crime está
crescendo se dá principalmente pela
desigualdade social, porém engloba
diversos fatores, alguns deles são a
falta de recursos financeiros e a
base familiar; em áreas com moradias
periféricas podemos ver nitidamente
tal situação.
O menor infrator acaba por se
envolver com a marginalidade por ter
sede de possuir aquilo que não está
em seu alcance, isso gera um
comodismo, afinal é bem mais fácil
se sujeitar ao tráfico de
entorpecentes a encarar as disputas
do mercado de trabalho. Porém não é
garantida a segurança da população e
a gravidade do problema cresce
constantemente.
Embora a estrutura familiar também
seja essencial ao jovem, pois daí
que se origina o caráter e
consequentemente a consciência do
que é certo e errado, é preciso que
a mesma esteja em conjunto com ações
do governo, pois contribuem para o
desenvolvimento do menor, tal como
programas de inclusão social,
melhoria na educação, etc.
É necessária a união da base
familiar com a base governamental
para a formação de uma sociedade
mais estruturada combatendo a
criminalidade ao invés de
constituí-la.
Valéria Couto da Silva - 1E21
Preconceito é não ter acesso a
cultura negra
A cultura e o folclore são dos
negros, mas os livros foram escritos
pelos brancos. Quem garante que
palmares se entregou? Quem garante
que zumbi foi assassinado? Este é um
trecho de uma música que deixa clara
a nossa ignorância em relação à
cultura negra.
Com a abolição os negros foram
“libertados”, mas continuaram sem
direito a escola, por isso que quase
não há livros com registros das
glórias e das vitórias dessa
população. Quantos fatos há em
livros de história do Brasil, que
citam alguma vitória dos negros em
relação aos senhores de engenho? Por
que o Candomblé e a Macumba são
vistos com tanto horror e
preconceito?
A resposta é simples, os fatos
citados são de origem negra. É
evidente que existe preconceito com
os pobres, mas o preconceito com o
negro existe de uma forma diferente.
Ninguém barra um negro na porta de
um clube porque hoje, isso é crime,
mas e se não fosse?
O fato de dois negros famosos se
casarem com loiras, não podem ser
citados como exemplo, já que a
análise deve ser feita pela maioria
e não de casos isolados.
Os números sim são fatos
importantes: existem somente quatro
professores negros na Universidade
de São Paulo; somente há dois alunos
negros no curso de medicina na USP;
quantos papéis principais de novela
ou de desenhos da Disney estão nas
mãos de negros?
No mês de abril um motoboy foi
espancado até a morte por policiais.
A mãe deste rapaz, uma professora,
disse que seu filho foi morto “por
ser negro e desbocado”, ou seja,
quem é negro quando diz existir
preconceito, diz com propriedade.
O preconceito existe porque faz
parte da criação das pessoas, de uma
forma subentendida, talvez, mas está
presente em piadas, frases e
comentários. Por que as pessoas,
quando querem dizer que amanhã é um
dia de trabalho dizem “amanhã é dia
de branco”? Por que as pessoas,
quando não gostam de uma piada dizem
“que humor negro!”?
Incluir os negros em profissões e
posições em que a sociedade julga de
mais valor, como por exemplo,
medicina e engenharia é muito
importante, pois a raiz do
preconceito está aí. Não é comum
encontrar negros nos escritórios de
engenharia ou em hospitais, e isso
não acontece porque não são capazes
e sim por falta de oportunidade, por
estarem em maior quantidade nas
classes pobres.
Vai ser difícil acabar com algo que
faz parte da educação de cada um,
mas tem de ser mudado aos poucos até
que as próximas gerações estejam
livres desse mal.
Saul de Carvalho Isaías - 1E21
A leitura na sociedade brasileira
O jornalista Diogo Mainardi afirma
que o hábito da leitura constitui o
maior obstáculo para a ascensão
social e o poder pessoal no Brasil.
Infelizmente temos vários exemplos
que mostram que pessoas sem formação
acadêmica conseguem se destacar na
sociedade.
Diogo escreveu o artigo “Ler não
serve para nada” e gerou muita
polêmica, pois a sociedade
brasileira não valoriza a prática da
leitura. São muitos os exemplos de
pessoas que entram na política sem o
mínimo de conhecimento para
trabalhar, e os jogadores de futebol
que passam a ganhar milhões e são
semianalfabetos.
A mídia no Brasil atua de maneira
estratégica, visando seus
interesses, manipulando grande parte
da população, fazendo acreditar em
que o estudo e a leitura não são
fundamentais para a ascensão social.
Quando são veiculados comerciais e
campanhas de leitura, vende-se a
ideia de que qualquer livro vai
acrescentar a formação intelectual
das pessoas, por isso muitos dos
livros mais vendidos no Brasil são
de receitas culinárias, autoajuda ou
entretenimento de baixo valor
cultural.
Chega a ser cruel que muitos dos
grandes escritores brasileiros
jamais tenham suas obras lidas e
apreciadas por nossa sociedade. Este
fenômeno desvaloriza o papel do
escritor no nosso país, já que eles
não têm incentivo do governo e da
iniciativa privada para produzir e
divulgar suas obras. Prova disso é o
baixo índice de pessoas que
pretendem ingressar na carreira de
escritor.
Para o Brasil se tornar uma potência
não é necessário preocupar-se com
metas econômicas, mas deve investir
na educação do país formando
leitores e escritores com julgamento
crítico.
Rita de Cássia H. Romero - 1E21
Famosos contemporâneos
Celebridades passadas conquistaram
seu espaço devido ao grande talento
diversificado que tinham. Grandes
cantores, escritores, compositores,
atores, jornalistas e etc. Nesses
casos a fama foi consequência do
talento excepcional. Mas hoje em dia
se tem a fama de forma exatamente
diferente, sendo consequência de
alguma polêmica ou atração
momentânea. Com isso vale
refletir... sobre quais valores a
sociedade está se organizando? O que
a mídia está acrescentando na vida
da sociedade?
Ao passar dos anos, muitas mudanças
são notáveis, tanto positivas como
negativas. Acredita-se que uma das
negativas está ligada a perda dos
valores da sociedade. A perda do
pudor, o excesso de libertinagem,
são nesses fatores que a sociedade
está se organizando. E a fama é
basicamente isso. Uma fama
construída em cima de escândalos, de
acontecimentos desastrosos, tendo
uma enorme repercussão na mídia. E
os telespectadores? Eles aplaudem,
se divertem, afinal faz parte dos
novos valores da sociedade!
Percebe-se que talento,
conhecimento, inteligência, caráter,
estão cada vez mais se distanciando
do mundo da fama. Se antigamente
andavam grudados, hoje estão
distantes. Infelizmente a mídia
reproduz os “famosos
contemporâneos”, acrescentando a
ideia de que, para se ter dinheiro,
reconhecimento e rápida ascensão
social é preciso simplesmente se
tornar famoso, algo que um
escândalo, uma participação em
reality show resolve. Implicitamente
fica entendido que a educação tem
importância pequena, longe de ser
prioridade na vida das pessoas, a
questão cultural e histórica não
leva a grandes escalas sociais. Essa
visão realmente influencia a
sociedade, e contribui para seu
empobrecimento em diversos fatores.
Contudo, fica fácil de compreender
as consequência das mudanças ao
decorrer do tempo. Hoje em dia
qualquer pessoa se torna
celebridade, famosa, com dinheiro,
porque existe um público alienado,
com valores discrepantes que
aplaudem esses indivíduos. Então a
perda de valores e a alienação
acabam se refletindo na cultura; se
no passado tínhamos celebridades
talentosas, atualmente temos
celebridades escandalosas!
Celso Naoto Kuroda - 1E21
Comodismo complementando a solidão
Hoje em dia os filhos prolongam a
sua estadia na casa dos pais por
muito tempo, mesmo com emprego fixo
e bem remunerado, capaz de adquirir
uma casa própria e se tornar
“independente”.
Existem diversos fatores para que o
filho não largue o aconchego da casa
dos pais. Geralmente é o bom
relacionamento, respeito de limites
de ambos, menos responsabilidade,
menos gastos, etc. Com isso o filho
pode se dedicar mais ao estudo,
conseguir uma graduação melhor sem
se preocupar muito com as
responsabilidades da casa.
Mas tudo tem seu efeito colateral.
Por tudo já estar pago, acertado,
arrumado, lavado, não tem muito com
o que se preocupar, por isso talvez
não crie um senso de
responsabilidade.
Morar com os pais traz um comodismo.
Geralmente é bom para ambos os
lados; os pais não vão se sentir
sozinhos e os filhos podem se
dedicar mais a vida profissional e
acadêmica. É o que os pais desejam e
os filhos também “ser melhor que os
pais profissionalmente”.